eu escrevo o que eu quero

Posted by banto on 12 Agosto, 2010 22:01

como se não bastasse o fato de nós negros nunca sabermos quando estamos infringindo alguma lei, já que aleatóriamente somos parados pela polícia, preso e assassinato ou oprimido pelo olhar do segurança de qualquer propriedade que nós nunca somos os donos... tem sempre um sociologo ou antropologo querendo nos colocar em nosso lugar, no ponto de vista dele e do grupo que ele representa, obviamente... se acusamos o separatismo racial no Brasil vão querer dizer que é coisa da nossa cabeça, que aqui é os povos vivem bem juntos e no final das contas somos todos brasileiros e "essa mistura é linda!"... mas se a mãe é negra e passeio com o filho de pele clara perguntam quem é a mãe da criança... se faço algo que ele julga que não é de branco, não posso é só os brancos e estou traindo meu grupo. se falo que só ando com negro estou discriminando... se quero entrar na universidade ou viver numa bairro classe média não preciso porque minha cultura é linda e dentro da universidade vão mudar meus valores sócio-cultural e o sentimento da favela é bem melhor que numa bairro pequeno-burgues... mas o pai dele não me contrata sem ensino superior. como diz o Biko, o branco não só te provoca como controla suas provocações. como se não pudessémos ser protagonistas de nossa própria história. não entenderam: já não pedimos autorização nem interessamos por sua opinião. fazemos aquilo que julgamos se o bem para nós. mas vão nos acusar de infantil... vão reforçar a idéia que nós temos é inveja do branco e agora que deram a chance para sermos livres copiamos eles. vão buscar originalidade nas coisas que fazemos hoje... e esquece que dar os devidos créditos para tudo que copiaram de nós... apenas trocando a placa e ficou com o nome deles.

re/periferia/fricania

Posted by banto on 06 Agosto, 2010 18:10

re de retorno, como o v de vingança. depois de uma longa estranha caminhada, o retorno para casa. do centro para a periferia. o teste é forte. o que pode ser válido para esse momento da caminhada, quando tão poucas idéias carrega? não carrega mais porque não se faz necessário: a realidade histórica me obriga viver o meu tempo, quando a utopia não mais me alimenta, não mais me seduz. voltar para onde menos me prende há um passado que quero evitar, de forma que sigo tendo crédito na palavra e no cartão. o uso da palavra somente quando necessário, sem excesso, mas muito crédito no cartão suficiente não deixar de fazer, de novo. não tanto crédito aponto de obeder ao invés de mandar. mandar sem pisar na cabeça de ninguém. não ilude com o co-mandar. quem é para tá aqui, já tá.

recomeçar. senão podemos mudar o começo, podemos mudar o fim. aquele cd do nill chama atenção novamente, como dez anos atrás. re de recomeço. mais humilde para o que o outro diz. mais silêncio, o intervalo necessário para outra ousar dizer sua simplicidade. simplicidade para entender a simplicidade, o simples. paciência para a palavra chegar.

aqui não preciso andar com ele engantilhada: a arrogância e prepotência que todo negro precisa para viver no centro. o centro que tão bem filtro, que tão bem nega e oferece. e você pensar: como viver sem? não é viver sem, mas ter lá também. e já tem. é questão óculos no grau certo.

já vivi aqui. no meu primeiro exílio. em outra situação, agora não tem dor, hoje é por escolha... naquela não. o relevo é loko, ora mata, ora casas, desordenadas pelo vale. o lazer em vários cantos, crianças... a falta de perspectiva, juventude ali na esquina. um bairro calmo. as gírias para atribolar... as vestes iguais para ser mais um. apenas mais um rapaz comum.

do atrito a greve

Posted by banto on 21 Julho, 2010 19:16

Se o atrito é a coexistência de forças, a greve é a face publica da contradição que nega o movimento relinea e faz a violência de quem passa a ter consciência de si e diante do outro busca, sem limites de meios, a mudança na desigualdade. A mudança ali por conquista de direitos sociais, por reparações economicos ou mesmo por visão política-ideologica.

A espontaneidade da massa passa a ser a mão que forma o que antes não tem nome, massa. Passa a ter consciência de si quando percebe a contradição e por sentir na pele aponta a saída, constrõe a saída.

O momento que um setor da sociedade parou e exige para si a atenção. O corpo, a sociedade, já não funciona normalmente. A coexistência, a tolerancia e convivio entre os diferentes, passa e ter outros tons.

Aí o intelectual perde sua pose de livre pensador, é convocado e não existe aí neutralidade.

 

livre

Posted by banto on 05 Julho, 2010 12:11

"não pertenço a nenhum partido. não pertenço a nenhum grupo, inclusive grupo de intelectuais. não respondo
a nenhum credo. não participo de qualquer militância." Milton Santos

Tempos atrás eu me retorcia ao ouvir alguém dizer que era livre pensador. Não é possível se dar ao luxo de dizer que é livre pensandor quando no mundo há tantos conflitos, quando a vida chama você para participar dela e a morte também, e alguém busca o meio termo sem querer ter a obrigação de responder o que quer que seja de obrigação.

Si o que acontece no Brasil não é conflito, poder chamar do que? Atrito. O negativo e o positivo de certa forma coexistem e cada vez que se tocam geram movimentos... há perdas, desproporcinais, mas não se eliminam se forma brusca. De certa forma se auto-alimentam.

Nesse sentido o livre pensador existe e transita, como uma terceira margem que apresenta aos dois lados mais elementos do que parecia ser binário. tras novos elementos. os novos elementos destacam detalhes não vistos. os detalhes chamam atenção, mostra a contradição. alguém disse que uma classe só existe quando tem consciência de si. a contradição é a consciência de si e do outro. dos limites. a contradição é o além do subexistir. existir, além da essencia. as combinações do 0 e do 1 já não se fazem suficiente. e os 0 não conseguem viver só, assim como os 1. novas conveções brotam, ou pelo menos possibilidades.

o intelectual caminha pela terceira margem, chuta a pedra de um lado para outro enquanto caminha... se contradiz, se mete onde não é chamado, naquilo que não é da sua conta, não quer ser mais especialista, quer ir além, concorda e discordo, muda de opinião novamente, se confudi, confundi, segue, dá movimento.

ando meio sartriano.

matei os meus líderes

Posted by banto on 04 Julho, 2010 12:11

se cada homem e cada mulher é uma estrela ninguém quer tem que ser coadjuvante de ninguém. viver na função de sustentar o brilho, a vaidade, de alguém nem rola. o brilho do líder ofusca o seu. cada um tem o seu brilho. a distância é boa para cada um brilhar, se ver, ver o outro, ver visto. mas não não ter brilho, ter o brilho ofuscado.

o líder de hoje tem a barriga tão grande que não vê e não se sacia. sozinho reclamam a fraqueza, a preguiça, a apatia, dos outros. suas verdades, seu olhar mais eficiente pela experiência, cala e invalida as outras verdades. uma verdade nem sempre elimina a outra, muitas das vezes tomam e servem de apoio para a outra. mas os líderes de hoje não exergam isso.

líder, digo aquele de esquerda, aquele progressista... que mais estão para reacionários. clamam em nome no povo, do coletivo, mas leia-se umbigo.

naquele filme mais uma noite nas barricadas, sobre o brad will, que o miguel peguei bem a essencia da rebelião popular de Oaxaca: não precisamos de lideres. no fundo no fundo todo mundo sabe o que tem que ser feito e como fazer, ou pelos menos tem deduções, mas querem ouvir o que diz fulano... sei lá por esperam o fulano. muda o nome, mas a mentira continua. fulano não quer ouvir ninguém a não ser sua voz. e tantas vozes lá fora. sidarta da dizia que a barriga cheia nunca está saciada.

tipo aquele filme... quando boa parte dos lideres mortos e outros fora do pais... anos depois o povo sem lider tomba a revolucao... sim, argel. como os primeiros levantes em Guinê-Bissau.. como os Djeemas.

sem comentários

Posted by banto on 03 Julho, 2010 12:10

poizé, não estou muito preocupado com o que você, e você também, pensa, a sua opinião sobre o que acabou de ler ou vai ler... por isso a opção de comentário desse blog está fechada. se não puder conter seu comentário e quiser mesmo falar para mim, manda e-mail ou telefone e a gente marca aquela breja ali no boteco do jaime.

esse blog é fritação, poesamento meditabundo das horas de ócio no trânsito daqui para lá, guardado no último banco do busão. banzo.

esse blog não dialogo com alguém que clicar na opção comentário. comenta no seu blog e trackbacks fazem o trabalho sujo.

isso não é wordpress, é tipo vida

Posted by banto on 02 Julho, 2010 12:07

zuado com essas totalidades optei por usar o lifetype. Ele é um cms para blog que suporta fazenda, mas estou usando em single. Tem vários templates disponiveis no site oficial, assim como recursos adicionais de funcionalidades. O editor html é o tinyMCE. Conheci há um tempo navegando pela web. Vi que o pessoal do inventati também usam no noblogs. Fiz uma tradução tosca para interface privada e pública, que pretendo atualizar.

escolhi o template sutle. pretendo customizar o banner.

guerrilheiro não abandona o posto

Posted by banto on 01 Julho, 2010 12:06

pros linguarudos, invejosos, traidores e canalhas: estou de volta. para as pessoas queridas: eu tô bem.

haja ervas para a ferida, mas ela fechou. rancoroso e cheio do ódio e sei que isso não faz para mim.

a gente aprende, né? e o "combatente não obedece comando de canalha que a nós não respeita", já cantou MV Bill.

os bicos zoião também não vão passar.

os mentirosos por trás da falácia do interesse comum, do interesse coletivo. do coletivo covardia que por migalhas em manter signos tolos de tradição tribal tão combatido em movimentos de libertação nacional em países africanos e que permanecem tão forte nessa diáspora.