eu escrevo o que eu quero
re/periferia/fricania
recomeçar. senão podemos mudar o começo, podemos mudar o fim. aquele cd do nill chama atenção novamente, como dez anos atrás. re de recomeço. mais humilde para o que o outro diz. mais silêncio, o intervalo necessário para outra ousar dizer sua simplicidade. simplicidade para entender a simplicidade, o simples. paciência para a palavra chegar.
aqui não preciso andar com ele engantilhada: a arrogância e prepotência que todo negro precisa para viver no centro. o centro que tão bem filtro, que tão bem nega e oferece. e você pensar: como viver sem? não é viver sem, mas ter lá também. e já tem. é questão óculos no grau certo.
já vivi aqui. no meu primeiro exílio. em outra situação, agora não tem dor, hoje é por escolha... naquela não. o relevo é loko, ora mata, ora casas, desordenadas pelo vale. o lazer em vários cantos, crianças... a falta de perspectiva, juventude ali na esquina. um bairro calmo. as gírias para atribolar... as vestes iguais para ser mais um. apenas mais um rapaz comum.
do atrito a greve
Se o atrito é a coexistência de forças, a greve é a face publica da contradição que nega o movimento relinea e faz a violência de quem passa a ter consciência de si e diante do outro busca, sem limites de meios, a mudança na desigualdade. A mudança ali por conquista de direitos sociais, por reparações economicos ou mesmo por visão política-ideologica.
A espontaneidade da massa passa a ser a mão que forma o que antes não tem nome, massa. Passa a ter consciência de si quando percebe a contradição e por sentir na pele aponta a saída, constrõe a saída.
O momento que um setor da sociedade parou e exige para si a atenção. O corpo, a sociedade, já não funciona normalmente. A coexistência, a tolerancia e convivio entre os diferentes, passa e ter outros tons.
Aí o intelectual perde sua pose de livre pensador, é convocado e não existe aí neutralidade.
livre
a nenhum credo. não participo de qualquer militância." Milton Santos
Tempos atrás eu me retorcia ao ouvir alguém dizer que era livre pensador. Não é possível se dar ao luxo de dizer que é livre pensandor quando no mundo há tantos conflitos, quando a vida chama você para participar dela e a morte também, e alguém busca o meio termo sem querer ter a obrigação de responder o que quer que seja de obrigação.
Si o que acontece no Brasil não é conflito, poder chamar do que? Atrito. O negativo e o positivo de certa forma coexistem e cada vez que se tocam geram movimentos... há perdas, desproporcinais, mas não se eliminam se forma brusca. De certa forma se auto-alimentam.
Nesse sentido o livre pensador existe e transita, como uma terceira margem que apresenta aos dois lados mais elementos do que parecia ser binário. tras novos elementos. os novos elementos destacam detalhes não vistos. os detalhes chamam atenção, mostra a contradição. alguém disse que uma classe só existe quando tem consciência de si. a contradição é a consciência de si e do outro. dos limites. a contradição é o além do subexistir. existir, além da essencia. as combinações do 0 e do 1 já não se fazem suficiente. e os 0 não conseguem viver só, assim como os 1. novas conveções brotam, ou pelo menos possibilidades.
o intelectual caminha pela terceira margem, chuta a pedra de um lado para outro enquanto caminha... se contradiz, se mete onde não é chamado, naquilo que não é da sua conta, não quer ser mais especialista, quer ir além, concorda e discordo, muda de opinião novamente, se confudi, confundi, segue, dá movimento.
ando meio sartriano.
matei os meus líderes
o líder de hoje tem a barriga tão grande que não vê e não se sacia. sozinho reclamam a fraqueza, a preguiça, a apatia, dos outros. suas verdades, seu olhar mais eficiente pela experiência, cala e invalida as outras verdades. uma verdade nem sempre elimina a outra, muitas das vezes tomam e servem de apoio para a outra. mas os líderes de hoje não exergam isso.
líder, digo aquele de esquerda, aquele progressista... que mais estão para reacionários. clamam em nome no povo, do coletivo, mas leia-se umbigo.
naquele filme mais uma noite nas barricadas, sobre o brad will, que o miguel peguei bem a essencia da rebelião popular de Oaxaca: não precisamos de lideres. no fundo no fundo todo mundo sabe o que tem que ser feito e como fazer, ou pelos menos tem deduções, mas querem ouvir o que diz fulano... sei lá por esperam o fulano. muda o nome, mas a mentira continua. fulano não quer ouvir ninguém a não ser sua voz. e tantas vozes lá fora. sidarta da dizia que a barriga cheia nunca está saciada.
tipo aquele filme... quando boa parte dos lideres mortos e outros fora do pais... anos depois o povo sem lider tomba a revolucao... sim, argel. como os primeiros levantes em Guinê-Bissau.. como os Djeemas.
sem comentários
esse blog é fritação, poesamento meditabundo das horas de ócio no trânsito daqui para lá, guardado no último banco do busão. banzo.
esse blog não dialogo com alguém que clicar na opção comentário. comenta no seu blog e trackbacks fazem o trabalho sujo.
isso não é wordpress, é tipo vida
escolhi o template sutle. pretendo customizar o banner.
guerrilheiro não abandona o posto
haja ervas para a ferida, mas ela fechou. rancoroso e cheio do ódio e sei que isso não faz para mim.
a gente aprende, né? e o "combatente não obedece comando de canalha que a nós não respeita", já cantou MV Bill.
os bicos zoião também não vão passar.
os mentirosos por trás da falácia do interesse comum, do interesse coletivo. do coletivo covardia que por migalhas em manter signos tolos de tradição tribal tão combatido em movimentos de libertação nacional em países africanos e que permanecem tão forte nessa diáspora.

